DOCE AMOR




Doce amor,
Você consegue transformar meu dia de sol
Em chuva fina,
Minha tranqüilidade plena
Em confusão e dor,
Minha alegria
Em pranto e amargura,
As certezas que construí
Em areia de um deserto,
Deixa meus pensamentos
Em um caos insano,
Revira minha cabeça,
Vira minhas páginas,
Meu castelo de cartaz
Espalha por toda a mesa.
Doce amor,
Em ti encontro o único ser
Que consegue desfazer com um sorriso,
Uma palavra,
Um toque,
Toda a perturbação que suas mãos causaram.
Para o mundo me faz ser meia verdade,
Em mim se torna verdade e meia.
Em seu peito encontro guerra,
Em seu sorriso a minha paz.


Michelle Mapelli

ATÉ QUANDO?


Até quando?
Estou exausta, quase não durmo,
Ando trancada em minha ausência,
Na minha presença de vazio que está me matando aos poucos,
Não sei onde vou parar,
Não sei o que escolher,
Que eu não sinta mais essa dor pela sua falta,
Mas que minha presença também não mais te perturbe.
Cansei de viver essa vida casta, de aparências,
Escondendo-me dentro de alguém que nem ao menos fui direito.
Vou deixar sucumbir-me à tristeza,
Morrer afogada em mim,
Na lama formada pelo liquido insalubre que escorrera dos meus olhos,
Minha amargura não tem nome,
Do chão que ela brotou ainda não encontrei raiz.
Transformei-me em um ser caótico,
Com minhas mãos construí os muros do labirinto,
Dos meus sonhos fugiram os Minotauros,
Vorazmente fui consumido pelo desconsolo,
O peito dói pela força que este coração me bate,
Estou cansada e a noites confronto-me com esta penumbra,
Até quando?


MIchelle Mapelli

VAZIO

Nem tu, oh morte,
A assombrar minhas noites,
Quero estar só de tudo e de todos
Até mesmo sua companhia
É demais para meu coração amargurado,
Deixe-me com as luzes apagadas,
Não quero por hoje ver o brilho do sol,
Seu calor insuportável a queimar os meus ossos,
Faz-me lembrar de tempos que se perderam,
De amores que apenas existiram em minha mente doentia.
Quero estar só até mesmo de mim,
Se eu pudesse sair correndo,
Trancar a porta pelo lado de fora,
Jogar a chave no vazio para não mais encontra-la,
Nem mesmo tu, oh morte,
Concedo-te a graça de entrar,
Ri-se de minha aflição,
Zombas de minha solidão,
Jogue as cartas na mesa,
Se eu ganhar, se vá para sempre,
Deixe-me só.
Michelle Mapelli

PILAR



Entre a mentira e a verdade,
O que lhe convém?
Eu em nome da santidade,
Dos bons costumes e da moral,
Amém.
Fico com o que me parecer razoável.
A sacralidade mitológica
Que envolve alguns seres
Nos faz pensar que são puros.
A mentira pode ser a verdade
Se essa for até então a única conhecida,
Mas anjos de barro
Expostos a luz do sol
Ao olhar apurado do aprendiz,
Esfarelam e viram pó.
Quem sou eu para julgar?
Essa reza ainda não me pertence,
Em nome do pecado,
Do desejo e da libertinagem,
Amem.
Michelle Mapelli