Concordo plenamente que não seja de sua conta o fato deu ter tido ou não um sonho ruim, tão pouco protesto.
Atordoada por esta indelével história,
Confesso ainda sonhar com você.
Não vou dizer que escrever está sendo um risco calculado, pelo contrário, a cada palavra, um saco de riscos, de dúvidas.
Há tanto tempo sem contato, vagando entre os espaços vazios, as frestas e arestas que nasceram entre a minha vida e a sua.
Tantas marcas e amarguras seguiram por arrasar com nossa convivência. Jamais nesta, caberia a realidade que comportasse os meus medos e os seus.
Não é uma carta de perdão, como todas as outras, tão pouco de amor, como também houveram muitas.
Esta é uma verossímil carta a Deus, uma súplica, um pedido desesperado para que Ele arranque qualquer mínima lembrança que possa existir em mim quanto a sua existência.
Ainda doe, consigo tocar as feridas que nos fizemos quando travávamos inúteis batalhas. De tudo que perdi, o que mais sofri, é saber que conseguiu golpear a mim dentro de ti e certamente fez-me morrer.
Mesmo que ainda vivesse em você, se existisse uma mínima possibilidade, não seria capaz de ter-lhe por perto. Isso sim é o que mais doe.
Não consigo acomodar sua torpe presença em minha alma. Por pior que seja este sentimento, por menor que seja, é bastante turbulento lembrar de você.
Michelle Mapelli / 2007
